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Resenha: A Droga da Obediência


Título: A Droga da Obediência
Autor: Pedro Bandeira
Editora: Moderna
Páginas: 192
Nota do LC: 5/5

Miguel, Calú, Crânio, Magrí e Chumbinho são cinco estudantes do famoso Colégio Elite, referência mundial pelo seu inovador método de educação. Mas eles têm mais do que isso em comum: pertencem ao grupo secreto os Karas, “o avesso dos coroas, o contrário dos caretas”. Sempre que há uma 'emergência máxima', os jovens se comunicam através de um código e se reúnem secretamente no forro do vestiário do colégio, onde não podem ser vistos nem ouvidos. É com uma dessas reuniões que tem início as aventuras do grupo que se tornaria um dos maiores fenômenos editoriais da história do Brasil.

    Uma onda de desaparecimentos vem tomando conta de São Paulo; estudantes de vários colégios estão sumindo sem deixar pistas de seu paradeiro. As investigações policiais não estão produzindo nenhum resultado relevante, e nada parece ser capaz de conter os sumiços cada vez mais constantes. Quando um aluno do Colégio Elite também desaparece, porém, Miguel decide que já está na hora dos Karas entrarem em ação e investigarem por si mesmos os últimos acontecimentos. Acabam, entretanto, por se envolver em uma trama de nível internacional, arquitetada pelo perigoso Doutor Q. I. , que tem usado estudantes para testar uma perigosa droga que poderá ajudá-lo a subjugar o mundo.
    A Droga da Obediência pode parecer, à primeira vista, uma obra simples e previsível, tanto pela sua ideia inicial quanto pela sua linguagem rápida e acessível. Entretanto, quem assim pensasse não poderia estar mais enganado; o autor logo nos apresenta ideias filosóficas, sociais e políticas, subentendidas nos ambientes que descreve e na forma como seus personagens enxergam o mundo e, especialmente, a juventude.
    O Colégio Elite, por exemplo, é a personificação da escola perfeita, com alunos inteligentes, conscientes e iniciativos, resultado de um método de ensino que preza mais a participação dos estudantes do que regências ditatoriais previamente estabelecidas. Essa ideia é reforçada pelo surgimento da droga da obediência; fica bem claro que o maior mal a um jovem é retirar-lhe o poder sobre si mesmo, subjugando suas ações, ideias e, principalmente, seu pensamento. Um ser humano sem pensamento torna-se apenas um boneco, uma marionete a disposição de uma força maior e usurpadora, que só consegue estabelecer-se no poder através da doentia penetração na mente das massas.
    A obra investe no mistério e no suspense, trazendo no final uma inesperada surpresa para o leitor. Além disso, pode-se perceber aos poucos um clima de romance e competição entre os amigos, já que todos – exceto Chumbinho, o mais novo – são apaixonados por Magrí, a única integrante feminina do grupo. Haverá momentos em que o amor em comum porá a amizade deles à prova. A história toda do livro, narrada de forma ágil e em terceira pessoa, se completa sem deixar nenhuma ponta solta, mas abrindo espaço para que mais aventuras possam acontecer.
    Trata-se de um livro belo e excelente, que já fez e faz parte da infância de muitas pessoas. Desde que foi lançado, em 1984, tornou-se um incrível sucesso de vendas, e até 2012 estima-se que já vendeu mais de 1,6 milhões de exemplares em todo o país. O livro ajudou Pedro Bandeira a se tornar o autor juvenil mais bem sucedido do Brasil, com mais de 25 milhões de livros vendidos, e deu início a famosa e bem aplaudida série os Karas, que ainda contou com mais quatro títulos, sendo o último Droga de Americana.
    É um livro recomendado para todo leitor brasileiro, equiparando-se em conteúdo com os melhores best-sellers internacionais e até os superando, talvez, em excelência de ideias.

    Resenha por Diego B. Oliveira - resenhista do blog.